Quanto posso financiar
Digite sua renda mensal líquida, outras prestações, a taxa e o prazo: estime o financiamento máximo que cabe no seu bolso.
Como funciona
Os bancos costumam conceder um financiamento cuja parcela não passe de cerca de um terço (33%) da renda líquida, descontadas as prestações já existentes. Daí sai o valor máximo.
Observação
É uma estimativa aproximada: o banco também avalia a estabilidade no emprego, a entrada disponível e outros fatores.
De onde vem o limite de um terço
Não é lei, é uma regra de prudência que os bancos aplicam há décadas e que os reguladores incentivam. A ideia é que, acima de um terço da renda líquida, a parcela se torna frágil: um aumento nas contas de consumo, uma despesa médica ou o fim de um contrato bastam para o pagamento falhar. Os bancos chamam isso de comprometimento de renda, e para calculá-lo somam todas as dívidas em andamento, não só o financiamento.
É por isso que um pequeno empréstimo feito para um carro ou para eletrodomésticos reduz o valor disponível muito mais do que as pessoas esperam: cem por mês de prestações existentes tiram, mantendo o resto igual, dezenas de milhares do financiamento possível.
O que o banco olha além da parcela
A relação entre o empréstimo e o valor do imóvel: quase nenhum credor financia o preço todo, e o teto habitual é de oitenta por cento. Por isso é preciso uma entrada de pelo menos um quinto, além dos custos da escritura. Depois, a estabilidade da renda, em que um emprego fixo pesa diferente de um trabalho autônomo iniciado no ano passado. Depois, a idade, porque o prazo precisa terminar dentro de um limite de idade, em geral entre setenta e cinco e oitenta anos.
E por fim o histórico de crédito: parcelas pagas com atraso em um empréstimo antigo ficam registradas por anos nos cadastros de crédito, e são o motivo mais comum de uma recusa que, para quem a recebe, parece inexplicável.
O dinheiro de que você precisa e que não está no financiamento
O erro mais comum de quem compra o primeiro imóvel é calcular a entrada e parar por aí. Além dela vêm os impostos sobre a escritura, o cartório ou o advogado, a eventual comissão da imobiliária, a avaliação e a taxa de abertura do crédito, o imposto sobre o próprio empréstimo, o seguro obrigatório. Tudo isso é pago de uma vez, à vista, não em parcelas, e somado muitas vezes chega a um ano de salário.
Depois vem a casa em si: a mudança, a pintura, os eletrodomésticos, os móveis que não cabem nos novos cômodos. Quem chega à assinatura com a conta vazia começa a vida de proprietário pedindo dinheiro de novo, exatamente a situação que o limite de comprometimento de renda deveria evitar.
O máximo não é a meta
Esta página diz quanto um banco está disposto a emprestar a você. Não diz quanto é prudente pedir, e as duas coisas raramente coincidem. Uma parcela no limite transforma cada contratempo em crise e trava, por décadas, a possibilidade de trocar de emprego, reduzir a carga horária ou enfrentar um período sem salário.
O jeito mais honesto de usar esta página é de trás para frente: pegue o resultado, subtraia uma margem e confira se, com a parcela reduzida, ainda sobra espaço para poupar. Se não sobra nada, a casa que você está olhando está fora do alcance, mesmo que o banco diga sim.
Veja também
Para ver como cada parcela é dividida, há a Tabela de amortização, e para o efeito de pagamentos extras, a Quitação antecipada. A comparação com a alternativa está em Alugar ou comprar, e o cálculo do salário que cai na conta, em Salário bruto para líquido.